Pai “não ia poder estar, por ser cesariana.”

M M.

Os relatos de parto são longos. São massudos de ler às vezes, isto se calhar porque os partos são longos. E também porque geralmente são as mães que os contam, e lembram-se de cada pormenorzinho. Eu sou o pai. E o que tenho para contar do parto do nosso filho L. é ridiculamente curto, e não é só por não ser eu a estar grávido e a passar pelo parto, ou por ser gajo. Foi porque eu não estive lá.

Esta foi a nossa primeira gravidez e a verdade é que não sabemos nada ou quase nada da primeira vez, nem ao que vamos, nem o que esperar e confiamos no que nos dizem. Estava sempre tudo bem, os exames, as consultas, os testes e os despistes e fui a todos com a minha namorada. Mas o tempo foi passando e de repente o discurso começou a mudar, e depois já era outro. O miúdo não virou. O miúdo não virava e tentámos tudo, do mais cómico o mais louco. Música perto da “saída”, luz, falar com ele, posições malucas. Népia. O miúdo não virou. E a única opção que nos deram foi a cesariana. O pior foi que descobrimos naquela visita ao hospital com as grávidas e casais todos que eu não ia poder estar, por ser cesariana. Foi mesmo um murro no estômago ouvir assim à frente de toda a gente pela primeira vez. Nas consultas seguintes tentámos perceber o porquê, conversar e tal, mas regras são regras e era assim e pronto.

Despedi-me da minha namorada e quando a vi outra vez já tinha o puto ao lado. O nosso filho é lindo. E curtimos muito essa fase de sermos pais e ir descobrindo as coisas a três. Mas ainda me sinto como um corredor que treinou durante meses para a maratona e depois não o deixaram entrar. E só tenho esta pergunta que nunca ninguém me soube responder de forma satisfatória: Mas Porquê??

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